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CNJ integra Escritórios Sociais e Casas de Justiça e Cidadania, projeto idealizado pelo ministro Carlos Pires Brandão

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai articular de forma integrada duas políticas de atendimento a pessoas que deixam o sistema prisional: os Escritórios Sociais, criados em 2016 pelo coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ (DMF/CNJ), Luís Lanfredi, e as Casas de Justiça e Cidadania, idealizadas em 2008 pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Carlos Pires Brandão.A integração tem o objetivo de ampliar o acesso à documentação civil, à orientação jurídica, à assistência social e às oportunidades de trabalho e renda, além de fortalecer vínculos familiares e comunitários. O assunto foi discutido pelo ministro Carlos Pires Brandão com Luís Lanfredi na última quarta-feira (7). Para o ministro do STJ, a atenção às relações humanas é condição essencial para que o egresso não volte a delinquir. "Como é que nós vamos devolver à sociedade uma pessoa que está privada de relações? Isso é apostar no que vai dar errado. O que nós temos que fazer é compreender que a vida é relacional e ajudar essa pessoa a reconstruir as relações que sejam boas", destacou o ministro Pires Brandão.ArticulaçãoEstudos mostram, segundo o CNJ, que uma maior atenção do Estado a quem deixa as prisões é fundamental para evitar novos crimes, considerando que muitos saem das unidades prisionais sem ter para onde ir ou com qualquer vínculo afetivo.Pesquisa pulgada em 2023 pelo então Departamento Penitenciário Nacional – atual Secretaria Nacional de Políticas Penais – e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) concluiu que dois terços dos crimes reincidentes acontecem no primeiro ano após a liberdade: quase 30% no primeiro mês e 50% até o terceiro. Estudo do CNJ de 2020 indicou taxa de reentrada de mais de 40% no sistema prisional.De acordo com Luís Lanfredi, "o objetivo é devolver essa pessoa à família e à sociedade em condições de autonomia, ressignificando suas relações sociais, com oportunidades iguais e garantindo o seu espaço de consideração perante todos". Atualmente, os Escritórios Sociais somam 63 unidades distribuídas em 22 estados.EgressoA reunião também discutiu os preparativos para o lançamento do Pena Justa Egresso, previsto para dezembro de 2026, com perspectiva de expansão das ações pelo país a partir de 2027. A estratégia impulsionará metas do plano relacionadas ao tema.A ação está alinhada às metas gerais do Plano Pena Justa: qualificação dos Escritórios Sociais existentes e demais serviços especializados de atenção à pessoa egressa, com metodologias específicas (indicador 3.1.2.2.1.1); implantação de serviços especializados de atenção à pessoa egressa, com destaque aos Escritórios Sociais, em todas as localidades com estabelecimentos prisionais (indicador 3.1.2.2.3.1); fortalecimento da Rede Nacional de Atenção às Pessoas Egressas e nacionalização das Redes de Atenção às Pessoas Egressas do Sistema Prisional – RAESPs (indicador 3.1.2.3.2.1); e criação de fluxo nacional para encaminhamento às políticas de proteção social e assistência à saúde de pessoas egressas (indicador 3.1.6.2.1.1).Com informações do CNJ.
09/10/2026 (00:00)
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